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domingo, 15 de dezembro de 2013

Um símbolo, uma tragedia, um passado

O Alto Minho vive nestes dias uma dasetapas mais tristes da sua história. A região aguarda o fim de aquilo que foi durante anos o seu coração: os estaleiros de Viana de Castelo. Aqueles que uma dia foram considerados “A jóia da coroa da construção naval portuguesa” desapareceram em apenas umas semanas levando com eles uma grande parte da vida económica e de aquilo que dava sentido à vida de muitas pessoas nesta área.



Pode considerar-se um símbolo do declínio industrial não só do alto Minho mas também de todo Portugal. Uma industria que viu como ninguém teve a capacidade de evitar o seu declínio e que finalmente é vendida a um grupo estrangeiro que nem garante a continuidade dos empregos dado que só está interessada nos terrenos que ocupavam os estaleiros.

Como é possível termos chegado a uma situação como esta? É esta a pergunta que surge de muitos dos protagonistas desta reportagem “O fim do Império”. Trata-se de um conteúdo emitido pela Antena 1 e que nos acerca à situação de Viana de Castelo. Como já diz, tem um enorme interesse porque além de ter um componente humano incontornável, é um grande exemplo de como toda a economia portuguesa e o próprio país foram conduzidos até o pesadelo que agora vivem.




Talvez possa servir parra reflexionarmos acerca do que aconteceu acerca do nosso passado imediato ao mesmo tempo que para pormos em causa tudo aquilo que os nossos reais governantes (FMI, OCDE e algumas grandes firmas) contam quando dizem que é através do fecho das industrias, os despedimentos e o empobrecimento que podemos aspirar a um futuro melhor.

PS. Além de ouvirem a reportagem, recomendo para procurarem notícias nos jornais. Deixo aqui alguns exemplos:

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Grândola nao é só uma canção

Grândola, vila morena... Há por acaso quem não conheça este estrofe? É assim que começa a mais famosa canção da história moderna de Portugal. Pessoalmente, se tivesse de escolher um tema a simbolizar a luta dos povos pela sua liberdade, seria este canto do Zeca Afonso o que primeiro veria para a minha cabeça.



Visto a sua origem (do que se fala depois) e o seu enorme simbolismo, até parece lógico que nestas últimas semanas tenha sido recuperada como uma maneira de luta contra das medidas que estão a ser tomadas em Portugal. A dia de hoje já foram quaro ocasiões aquelas nas que algum dos membros de governo foram recebidos ou interrompidos durante uma intervenção por pessoas a entoar a Grândola.

Ainda mais, no passado 16 de fevereiro, na Porta do Sol do Madrid, centenas de pessoas começaram espontâneamente a cantar a "Grândola".

É incrível que quando já passaram mais de quarenta anos desde a sua criação, a canção continue a estar cheia de simbolismo e capacidade de fazer com que as pessoas reivindiquem de maneira pacífica os seus direitos.

Na última semana dedicamos uma das aulas a conhecer a origem deste tema. Visitamos, mesmo que fosse virtualmente, a vila de Grândola onde a canção nasceu. Deixo um recurso para vocês conhecerem mais do nascimento da obra do Zeca Afonso. Trata-se de uma reportagem emitido pela SIC TV (cliquem acima da imagem para ele se reproduzir). Já no princípio desta mensagem tenho-lhes mostrado uma cena do filme Capitães de abril a mostrar o momento no que o tema começa a soar pela rádio. Se alguém não treme com a cena é que não tem sentimentos.





Acho que este é o momento perfeito para nos conhecer esta estória e mesmo começar a aprender a sua letra. Desafortunadamente, tenho a certeza de que nos próximos tempos, teremos de entoar la muitas vezes. Será a maneira de ela servir novamente na luta contra uma ditadura, neste caso não só politica mas principalmente do sistema económico. 




Só mais uma coisa: hoje o senhor primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, afirmou que as demostraçoes que estavam a ter lugar, "não reflectem o sentir maioritário dos portugueses". É por isso que decidi acabar esta mensagem com a cena na que ele foi interrompido no parlamento Português. É a única resposta que é preciso dar as maluquices que ele está a dizer há muito tempo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Para ser escravo é preciso estudar.

“Procura-se arquiteto que domínio de inglês e francês, carta de condução e carro próprio. Terá de cumprir horário completo. Remuneração oferecida 500 Euros” “Oferta para médico dentista com licenciatura em Medicina. Horário completo. Remuneração: 600 Euros por mês”.


São apenas dois exemplos dos postos de trabalho aos que os jovens mestres e licenciados portugueses podem aspirar através de um Programa Estímulo 2012.

O pior é que este é o resultado da última aposta do governo para “incentivar o emprego jovem...”

 


 Não tenho tempo de fazer muitos comentários face a esta notícia. Foi nesta semana que nas nossas aulas estivemos a falar do futuro após os jovens obtêm os seus certificados. Eu só posso dizer: O futuro?
É por isso que quero deixar uma sugestão: pode ser uma boa oportunidade para a gente voltar a ouvira a canção que inseri nesta mensagem: Que parva que eu só dos Deolinda. Embora já falei dela noutra mensagem não há mesmo melhor comentário do que ela. De facto, eu arranjei o título da mensagem a partir de uma das suas frases... Quando quiserem ouvi-l, cliquem apenas na imagem que fica cá em baixo




domingo, 20 de maio de 2012

Um ano depois, ainda mais pobres



Crise, poupar, pobreza... Estas são as duas palavras que duas das crianças da família Vagos aprenderam a explicar no último ano. A outra criança, Diego, catorze anos já apenas pensa no momento de ele poder deixar a escola e começar a trabalhar.

Não há melhora maneira de fazer um resumo dos estragos da Troika em Portugal, uma ano depois da Troika estar a intervir no País. Os Vagos foram os protagonistas de uma reportagem da Antena um há apenas um ano. Nesta altura eles não só viram piorar a sua situação mas também as suas expetativas: a mãe, dantes uma mulher otimista e engraçada, sofreu uma depressão.

Nesta espantosa e terrível reportagem da Rádio Pública portuguesa podemos conhecer como é que sofrem e vivem dia atrás dia. Só como mostra uma frase da menina mais nova: “Os outros meninos têm cosa que nos não podemos e ficamos com raiva.. isso é a pobreza”.
Ouvi-la é não só uma opção mas também uma obrigação. Se calhar, estes são os Piegas dos que o senhor Passos Coelho falou...